Minh' alma é triste como a flor que morre
Pendida à beira do riacho ingrato;
Nem beijos dá-lhe a viração que corre,
Nem doce canto o sabiá do mato!
E como a flor que solitária pende
Sem ter carícias no voar da brisa,
Pendida à beira do riacho ingrato;
Nem beijos dá-lhe a viração que corre,
Nem doce canto o sabiá do mato!
E como a flor que solitária pende
Sem ter carícias no voar da brisa,
Minh' alma murcha, mas ninguém entendeQue a pobrezinha só de amor precisa!
Amei outrora com amor bem santo
Os negros olhos de gentil donzela,
Mas dessa fronte de sublime encanto
Outro tirou virginal capela.
Oh! Quantas vezes a prendi nos braços!
Que o diga e fale o laranjal florido!
Se mão de ferro espedaçou dois laços
Ambos choramos mais num só gemido!
Dizem que há gozos no viver d' amores,
Só eu não sei em que o prazer consiste!
-Eu vejo o mundo na estação das flores...
Tudo sorri-Mas minh' alma é triste!Se mão de ferro espedaçou dois laços
Ambos choramos mais num só gemido!
Dizem que há gozos no viver d' amores,
Só eu não sei em que o prazer consiste!
-Eu vejo o mundo na estação das flores...
(Casimiro de Abreu)
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