domingo, 2 de janeiro de 2011

AMAR É...


...Rir de si mesma.
...Ter vontade de cometer loucuras.
...Envolver-se e deixar-se envolver.
...Alegrar-se vendo o amado feliz.
...Sentir frio na barriga quando encontra a pessoa amada.
...Diminuir as distâncias.
...Surpreender.
...Esquecer-se do tempo.
...Viver com toda intensidade.
...Enxergar a felicidade em pequenos gestos.
...Querer roubar as estrelas.
...Lembrar a todo instante de quem se ama.
...Ter sempre algumas palavras bonitas para dizer.
...Compartilhar carinhos.
...Não perder as esperanças.
...Sofrer calado.
...Escrever cartas românticas.
...Acreditar em sonhos.
...Passar noites em claro pensando nos momentos vividos.
...Superar as diferenças.
...Ver a beleza em todas as coisas.
...Estar sempre perto da pessoa amada.
...Chorar com qualquer comercial de tevê.
...Ter um brilho nos olhos.
...Pensar no outro, antes de si mesmo.
...Sentir saudade.
...Ir à luta por um grande amor.
...Acreditar que tudo é possível.
...Não desistir no primeiro obstáculo, por maior que seja!

VIDA E POESIA


A lua projetava o seu perfil azul
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.
Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
- Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinação estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite.
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.
(Vinicius de Moraes)

AUSÊNCIA


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gosto existe o teu gesto e em minha vos a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... Tú irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande intimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
(Vinicius de Moraes)