Eu tenho quinze anos
E sou morena e linda!
Mas amo e não me amam,
E tenho amor ainda.
E, por tão triste amae,
Aqui venho chorar.
O riso de meus lábios
O riso de meus lábios
Há muito que murchou;Aquele que eu adoro
Ah! foi quem matou;
Ao riso, que morreu,
O pranto sucedeu.
Diurno aqui se mostra
Aquele que eu adoro;
E nunca ele me vê,
E sempre o vejo e choro;
Por paga a tal paixão
Só lágrimas me dão!
Aquele que eu adoro
É qual rio que corre,
Sem ver a flor pendente
Que à margem murcha e morre:
Eu sou a pobre flor
Que vou murchar de amor.
Lá vem sua piroga
Cortando leve os mares,
Lá vem uma esperança
Que sempre dá pesares:
Lá vem o meu encanto,
Que sempre causa pranto.
Enfim abica à praia,
Enfim salta apressado,
Garboso como o cervo
Que salta alto valado:
Quando há de ele cá vir
Só pra me ver sorrir?
Oh bárbaro! tu partes
E nem sequer me olhaste?
Amor tão delicado
Em outra já achaste?
Oh bárbaro! responde,
Amor como este, aonde?
Somente pra teus beijos
Te guardo a boca pura;
Em que lábios tu podes
Achar maior doçura?...
Meus lábios, murchareis,
Seus beijos não tereis!
E, se amanhã vieres,
Em pé na rocha dura
'Starei cantando aos ares
A mal paga ternura...
Cantando me ouvirás,
Chorando me acharás!...
(Trecho extraído do livro A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo)
(Trecho extraído do livro A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário